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A mostrar mensagens com a etiqueta Portugal
Cena portuguesa... Estava eu há pouco, tranquilamente calibrando os pneus do carro ao lado de um estacionamento numa bomba de gasolina. Do nada e em alta velocidade estacionaram dois discos voadores com o som alto do rádio. Desce o primeiro ET com uma garrafa de cerveja na mão e vai abrir os alti-falantes do porta malas. Não. A mensagem não era "Quero falar com seu líder" era "bate e joga de ladinho" qualquer coisa que não deu mais pra ouvir e nem o bip do compressor de ar. Nesse momento do outro disco voador descem várias ET's num movimento sincronizado de flexão de pernas à volta do primeiro ET dando-me a impressão que comandava as demais Aproximaram-se rindo da mim mas felizmente eram amistosos, só queriam despejar no relvado do compressor cerca de uma dúzia de garrafas vazias como sinal de amizade. Cumprimentei-os dizendo "Buenas tardes", saindo de fininho sem conseguir encher os pneus... 
Quando se fala de Portugal raramente lembramos de suas ilhas. Apesar de ser o 13º país em área na UE, está na 3ª posição quando nos referimos à zona económica exclusiva, graças exatamente ao mar territorial de suas ilhas, imenso patrimônio natural. O país possui duas regiões autónomas, os arquipélagos dos Açores e da Madeira; os Açores a meio caminho da América e a Madeira aqui ao lado de África. Essas duas regiões tão caras ao Brasil; os açorianos por terem vindo colonizar o litoral sul e a Madeira por ter servido de ponto de passagem para os viajantes na época da colonização, esses dois valorosos povos ilhéus marcaram profundamente o nosso país. Quem já passou pela estrada da Graciosa na Serra do Mar no Paraná, ou visitou a pequena cidade de São Francisco do Sul no litoral catarinense, pra não falar no extraordinariamente delicioso Barreado que se come na baía de Paranaguá, sabe o que é a alma açoriana encarnada naquele pedaço do Brasil. Da Madeira, nos primeiros tempos, veio ...
Apesar da economia e a emigração em busca de trabalho, Portugal também vem passando por um movimento migratório contrário. Cada vez mais torna-se o país de destino de muitos. Por que? Que o país tem clima agradável, belezas naturais, é pacífico e seguro, já é sabido há muito tempo. Que a população é amistosa e acolhedora, também. Que desde há muito tempo, e principalmente hoje, nesse mundo de ataques terroristas, quase ninguém fala desse pedacinho de terra encostado à Espanha, quase caindo pro mar. Já lá se vão os tempos de Viriato que não queria nada com os romanos. O povo português veio formando-se de maneira especial e o resultado disso pode explicar essa predileção. De nada adiantaria um país dotado de vantagens, se seu povo não fosse o que realmente conta. Aqui cabe uma comparação ao Brasil que, mesmo nesse momento de total descrença da classe política, tem no seu povo a maior riqueza de todas elas. Pergunte-se ao estrangeiro que visita o país o que mais lhe impressionou e ...
Uma bica sff (se faz favor) Ainda comentando o pitoresco lusitano, é impossível não falar de certos hábitos que não deixam de espantar o incauto visitante brasileiro. O pessoal aqui respeita mesmo o sinal vermelho. Se tá amarelo, freia (dizem trava) porque o que vai na frente vai parar mesmo que seja de madrugada e não haja viva alma na rua. Na primeira vez que saí do hotel quando cheguei, fui caminhar até um restaurante. Parei numa esquina para um carro entrar na rua e o motorista parou. Fiquei o olhando, achando que estava fazendo alguma coisa errada ou estava fantasiado de brasileiro. O motorista fez sinal com a mão para eu passar e foi aí que percebi que o peão, como chamam o pedestre aqui, para mesmo o trânsito ao atravessar a passadeira (a faixa). Sorri e atravessei a rua todo ancho. Qualquer restaurante, mesmo uma tasca (botequim que serve comida) é impecável! O banheiro está sempre limpo e as mesas estão postas com todos os copos. Se não pedir vinho; um pecado aqui, ti...
C’um caraças! Palavras e expressões com diferente significado são muitas entre nós e motivo de muita brincadeira, é claro por parte de nós brasileiros, sacanas por natureza. Mário Prata explorou muito bem isso no seu delicioso Schifaizfavoire de 1994. É inevitável para o marinheiro de primeira viagem não se atrapalhar e rir muito das coisas que ouve e não entende. É preciso algum tempo para acostumar-se com a pronúncia e mais outro tempo para conhecer e empregar bem todas as expressões lusitanas. Da mesma forma, certas palavras que usamos correntemente no Brasil, aqui como dizem, têm piada, porque não imaginam eles que se pode falar o português de outro modo que não o seu. Ficam mesmo surpresos e algo indignados. Em África (e não, na África…) fala-se nos PALOP’s (Países de Língua Oficial Portuguesa) o português lusitano, com sotaques próprios, excluídos naturalmente os regionalismos. Nós brasileiros tivemos mais tempo para mestiçar a língua e fazer mais brasileiros para falar ...
O tempo é mesmo uma diferença entre nós. E não é por causa do fuso horário. Nós brasileiros acostumados às americanices e correndo atrás do prejuízo, passamos pelo tempo e não o vemos passar… O português tem outro compasso; talvez porque tenha quatro estações e saiba esperar… Uma ocasião fui à uma loja e tirei a senha 33. A pessoa que estava sendo atendida era a senha 11. Estavam ali sentadas comportadamente cerca de 20 pessoas à espera. Como demorava muito, saí e ao voltar 15 minutos depois, ainda estava lá o mesmo senhor a ser atendido calmamente. Aproximei-me para ver o que acontecia e ouvi num tom de voz baixo e pausado: - Não, não. O senhor não entendeu. Vou explicar-lhe novamente… As 20 pessoas continuavam lá sentadas em silêncio… nenhum pigarro… Aqui tudo se faz sem pressa e pode ter certeza que o pedido do hamburger que se faz no terminal da loja vai demorar uma eternidade até chegar à bandeja… Qualquer reclamação pode ser compreendida; o atraso não. As coisas fazem-se...
Ó pá! Nunca havia pensado em viajar para o exterior, muito menos viver fora. Casado e com 3 filhos pequenos, não havia condições sequer de planejar uma viagem internacional. Foi de um convite fortuito que surgiu a oportunidade que concretizou-se poucos meses depois. A mulher, consultada de imprevisto, concordou na hora, e lá fui eu sem a mínima ideia do que me esperava. Apesar da mesma língua e dos laços de sangue, Portugal é uma completa surpresa para o brasileiro. A primeira impressão sempre é marcante e não poderia deixar de ser a luminosidade transparente de Lisboa numa manhã de Junho para os olhos de um carioca, acostumados ao branco do seu céu. As pessoas; essas sim são como nós. Se estivesse em outra capital europeia as veria certamente como "gringos", mas em Lisboa não. A parecença é total e qualquer um na rua poderia ser meu primo ou um parente distante. As semelhanças ficam por aqui. Portugal é em tudo diferente e às vezes incompreensível ...