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Cena portuguesa... Estava eu há pouco, tranquilamente calibrando os pneus do carro ao lado de um estacionamento numa bomba de gasolina. Do nada e em alta velocidade estacionaram dois discos voadores com o som alto do rádio. Desce o primeiro ET com uma garrafa de cerveja na mão e vai abrir os alti-falantes do porta malas. Não. A mensagem não era "Quero falar com seu líder" era "bate e joga de ladinho" qualquer coisa que não deu mais pra ouvir e nem o bip do compressor de ar. Nesse momento do outro disco voador descem várias ET's num movimento sincronizado de flexão de pernas à volta do primeiro ET dando-me a impressão que comandava as demais Aproximaram-se rindo da mim mas felizmente eram amistosos, só queriam despejar no relvado do compressor cerca de uma dúzia de garrafas vazias como sinal de amizade. Cumprimentei-os dizendo "Buenas tardes", saindo de fininho sem conseguir encher os pneus... 
O 31 de Março não pode ser resumido à  ditadura militar. Movimento popular legítimo, impediu que o rumo das coisas levasse o país ao socialismo que hoje conhecemos. Estado de exceção necessário, pecou pela permanência e abuso justificados pelo contexto da Guerra Fria. O atual "Estado de Direito" brasileiro aprisiona a nação que necessita uma nova formulação. Nossa "democracia" não nos livrará da atual situação lamentável em que nos encontramos.
Um outro alucinado volta a rufar os tambores de guerra na Europa e seus povos esperam. Não será com armas que isso vai acabar porque com essas armas isso tudo acabará... A única via é a repartição da riqueza que se produz em meio ao bem estar social e ao Estado de Direito. Deve ser o povo russo a fazer essa escolha e o Ocidente a oferecê-la.
Responsabilização é prática comum nas administrações públicas; ou deveria ser. Na verdade, os governos empossados acabam no máximo por acusar e remediar os erros que os cessantes deixaram, e esses por sua vez fazem o mesmo, num rastro que morre sem culpa e sem punição. A impunidade perpetua o erro e o cidadão continua com seu ônus, no máximo se indigna mas esquece; às vezes morre. Quando os erros causam mortes devem ser ainda mais responsabilizados; ou deveriam ser. Quantos vezes se choram os mortos em desabamentos causados pela chuva em áreas sabidamente de risco? Não seria responsabilidade das autoridades municipais a permissão para construções? Ou deveria ser? Não deveríamos ser mais exigentes? Ou não ligamos nada para isso? Se seguirmos o rastro da impunidade, vamos acabar encontrando a nossa própria pegada na lama dessas enxurradas...
Retirei de um texto de Henrique Raposo uma explicação muito boa sobre o desaparecimento da pertença nos dias de hoje e seus terríveis efeitos: "... No passado ainda recente, os mais pobres sabiam que tinham um certo estatuto e reconhecimento através da sua condição de operário ou trabalhador especializado, tinham o seu métier, a sua fábrica, o seu sindicato, a sua comissão de trabalhadores, o clube de futebol do sindicato ou o grupo coral ligado à fábrica. Esse mundo que garantia uma estrutura mental e o tal reconhecimento social, o tal status dentro da ordem natural das coisas, desapareceu em menos de uma geração.  As pessoas saltam de trabalho em trabalho sem criarem vínculos em lado nenhum... perderam empregos, perderam a ideia do emprego para a vida, perderam a ideia de que podiam ser operários, perderam as casas, até os carros. Ter uma arma é o que lhes sobra da sensação de ownership. Têm a arma e outra arma: o Facebook ou outras redes sociais onde procuram o capital social q...
Apesar do Lula estar mais cotado que o Bolsonaro, a recusa pelos dois é grande, assim como a expectativa por um terceiro. O quase meio a meio das eleições passadas estão sendo desperdiçados pelos governistas, que não revivem os crimes e a prisão por corrupção do adversário. Este por sua vez, sem muito alarde, cresce com o desaire cada vez maior do outro. O povo não é bobo e os rejeita igualmente. Quer outro nome que os livre do desastre conhecido. Peca pela demora a definição dessa pessoa, por total falta de projeto e estratégia dos demais, oferecendo o alívio de uma alternativa ao eleitor num segundo turno. Infelizmente, muito mais que um importante programa de governo, dependemos do acordo de muitos interesses diferentes daqueles de quem vota. 
"Certos países só deveriam ser ajudados depois de se livrarem da corrupção e da incompetência que em tudo os torna inviáveis." MST escreveu isso a respeito da situação no Afeganistão. Por mais inaceitável que possa parecer, é essa de fato a forma com que encaramos esse tipo de problema, em todo nosso redor. A forma egoísta e irresponsável, e que mais tarde exigirá intervenções para minimizar suas más consequências; como por exemplo o problema da distribuição de vacinas para Covid. Quanto mais será preciso passar para que o nosso egoísmo se indague? Ao mais capaz cabe a responsabilidade de cuidar do mais fragilizado. E não é só uma questão de altruísmo, é de sobrevivência também, do que somos e do que representamos, e nesse sentido torna-se indispensável a participação das democracias ocidentais. Virar-lhes as costas é má decisão.
O que para nós é cegueira total para eles é a verdade absoluta. Como debater pelo bem e o progresso quando esses conceitos diferem radicalmente e principalmente se tratar da luta pelo poder naquela região subdesenvolvida? O Ocidente venceu o Comunismo com a oferta de liberdade e consumo. Não é esse o desejo dos fundamentalistas. Como então aproximá-los um pouco mais de nossos valores? Talvez a China possa lá investir e os armar, formar e os fazer produzir; eles não conhecem a importância da produção de riqueza e talvez por isso não a desejem. Aquela fé tudo proíbe. Será o germe do Capitalismo o remédio?
Um trecho de uma cronista de quem sou habitual leitor despertou-me para as minhas gentes: "Estes dias pardos fazem recordar os dias cinzentos da agonia de Salazar e do caetanismo. A vida seguia igual e não parecia haver esperança de furar a monotonia da incompetência. Apetecia o exílio. Quase 50 anos depois da revolução de abril, nunca imaginei que tal sabor amargo viesse à boca, o de não ver futuro para Portugal, de não descobrir chefes respeitáveis que não façam da mentira a verdade da propaganda..." Em tudo há semelhança nas duas culturas, uma herdeira da outra, uma um fado da outra... E aí de repente surge à minha frente novamente a causa disso tudo. Que tantas e tantas vezes discorro em tentativas para explicar, certamente para aplacar minha inconformidade, o motivo de tamanho deblaque. Nós como eles também não somos representados, nem queremos que representem a nossa própria responsabilidade de sermos governados! Simplesmente não queremos. Preferimos assim, que alguém n...
Falando aqui da janela desse mundinho português a olhar pro mundão à sua volta... Entrar pra ganhar muito dinheiro e retirar ao Estado empresas que não deveriam ser dele. Essa é a meta com vivas ao Capitalismo! Veio o David Neeleman brasileiro americano, agora o Armando Pereira português francês, e quem sabe mais quem virá cumprir esse apetitoso objetivo, comprando e vendendo empresas no lugar de pô-las a produzir... Dá mesmo muito trabalho e não é nada seguro competir e dar empregos... Valha-nos a Segurança Social!
O recente surto de Covid em Odemira trouxe à tona três questões esquecidas: o revigoramento económico com a agricultura, as implicações ambientais naquela região de preservação e a dignidade dos trabalhadores imigrantes sazonais contratados por terceiros irregulares.  Questões ambientais à parte e tendo em vista a falta de infraestruturas naquelas localidades quase desabitadas, caberia ao Estado através das Câmaras Municipais legislar a construção de alojamentos padronizados nas explorações, além de obrigar contratos de trabalho a termo, enquadrados em acordo coletivo, de forma a garantir salário-mínimo e contribuição para Segurança Social, com desconto regulamentado para o empregador como compensação pelos custos de acomodação. PS: Soube mais tarde e faço questão de registar aqui o bom exemplo do Grupo ELS
De todas as formas de se disputar o poder, o Populismo é a mais descarada e menos duradoura... O atual governo de Itália quer de forma justa punir a recusa de acolhimento de refugiados embarcados sustentado pelo governo anterior. Dura lição para a Democracia entender que nem sempre o que foi escolhido pelo voto é a melhor opção.
Livre iniciativa para lucrar. Fundamento que impulsiona o mundo à velocidade da Lei de Mercado e a bordo do bolso do empregado que compra o que produz. Esse último, o fator mais frágil e forte o bastante para criar ideologias, sistemas de governo e leis que mais ou menos o preservam do interesse egoísta do empregador. Até onde deve ir essa defesa? Até que ponto deve a lei intervir? Tomemos um exemplo. Uma companhia área, como qualquer empresa, tem a prerrogativa de criar e eliminar empregos. Recentemente no Porto em Portugal, sem chegar a acordo com o sindicato dos funcionários, decidiu pela demissão coletiva e formação de novo pessoal para contratação. As legislações específicas visando proteger o trabalhador proíbem, regra geral, essa prática, quando os motivos não são alheios ao empregador. Entretanto, sendo o posto de trabalho de total responsabilidade do patrão, deveria também caber a ele optar pela sua substituição, em qualquer condição, sendo a principal delas a manutenção daque...
O assassinato do supermercado de Porto Alegre está sendo traduzido naturalmente por racismo. O país dá-se por satisfeito em saber se é ou não racista. Não é racista porque é um país de mestiços que separam-se em classes; rica e pobre. O país é classista e nisso é impiedoso. Mata.
O ataque do deputado extremista André Ventura à comunidade cigana é uma clara manobra divisionista para encontrar "culpados". Típico método fascista. Entretanto não deixa de ser um problema que os moderados preferem não falar dando azo para que o seu minúsculo partido aproveite essa legítima insatisfação popular. De fato são um verdadeiro problema em todo lugar onde estão presentes. Raríssimos são os que se integram, normalmente empresários bem sucedidos. A maioria vive à margem da sociedade, estigmatizada por pequenos delitos e desacatos. Ventura os acusa de subsídio-dependentes. O fato é que essa comunidade não representa nenhuma despesa a mais do que qualquer outro português carente que também receba o RSI Rendimento Social de Inserção. Os ciganos representam menos de 4% dos beneficiados, o que prova ser uma  desinformação propositada que boa parte da população desconhece e que os extremistas aproveitam para tirar partido e ganhar notoriedade. O principal problema não é ec...
Recentemente concluíram-se as negociações para a fundação de um mercado comum oriental, incluídos Austrália e Nova Zelândia, com China e Japão como seu núcleo. A exemplo do antigo CEE provavelmente, a bem do desenvolvimento humano, também deverá haver no futuro uma "UO" União Oriental... Houve tempo em que o mundo dividia-se em Norte e Sul. Hoje está em Leste e Oeste. Com a janela que se abriu com a saída do presidente americano obtuso, talvez comecem agora também as negociações para a fundação de um mercado comum ocidental...  
O que se pode retirar das últimas eleições? O eleitor continua não querendo saber de política, muito menos ideologia. Ele não gosta de extremismos, apesar de estar polarizado, e como sempre vota contra ou a favor do nome que está no poder e não no nome que é proposto. É pragmático e conservador. Não quer grandes mudanças ou novidades, no final vai preferir nomes conhecidos que o recordem alguma melhoria ou estabilidade. Nada de estranho na sua atitude claramente passiva e clientelista. Ele não age, reage, e assim vai dando continuidade à exploração. Mudança mesmo só quando começar a agir. O PT morreu e a Esquerda fugiu pro PSOL. A Direita continua bastarda. Feia e sem nome. 
Nossas salutares diferenças podem ser pacíficas ou estar acirradas. Mais uma vez fanáticos radicais assassinam em represália ao que consideram abuso. Não seria melhor deixarmos de teimosias infantis e parar de brincar com assuntos sensíveis à religião de cada um? Nossa liberdade só deve ir até onde começa a do outro...
Quando acordo vou ao Globo, pura carioquice, ver o que se passa no planeta Brasil... Detenho-me em duas notas isoladas mas conexas que ilustram bem o papo da cultura musical e dos costumes, razões suficientes para explicar muita coisa. Briga de mulheres de biquini no meio da rua e a esclarecedora letra da música "Me Gusta" da Anitta... Será preciso discutir Política? Desse jeito nem com voto distrital, nem com recall, nem com nada... A agressividade das pessoas... a contínua depredação da estátua do Drumond como escrevi uma vez, confirmam o abandono. O abandono das pessoas pela família, pelo Estado... Reações assim caracterizam a falta de educação pelos valores, da admiração do Belo, do respeito, carinho e amparo, sobretudo a proteção e respeito do indivíduo que o Estado deveria assegurar pelo contrato social que com ele estabelecemos. Pensando bem, qual das partes na verdade não estará incumprindo esse contrato?
Uma pandemia como essa é assustadora e continua matando. Enlutamo-nos por conhecidos e desconhecidos, tendo estado eles protegidos ou não, tendo sido eles tratados ou não. Só sabemos que devemos evitar contatos pessoais e que ainda não há cura ou vacina, que a doença evolui diferentemente em cada um. A negação da doença e seus cuidados, assim como a confusão no tratamento dado pelos hospitais públicos são de total responsabilidade do PR. Entretanto as pessoas são livres para agir e os que arriscam sabem o risco que correm. Não há dúvida que haveria muito menos mortos se houvesse sido aplicada uma outra política de saúde pública, mas o pouco que se pode fazer para evitar o contágio depende de cada um.