Avançar para o conteúdo principal

As sucessivas gerações são marcadas pelas condições sócio-econômicas de suas épocas e caracterizam de uma forma geral todos os seus indivíduos independentemente da classe social a que pertencem.

Quanto mais no passado, mais longas e poucas mudanças; quanto mais no presente, mais rápidas e grandes transformações...

Partindo desse ponto de vista podemos encontrar uma possível explicação para duas características marcantes da geração de nossos filhos; o fato de permanecerem mais tempo em casa dos pais e não objetivarem carreiras profissionais.

Se tomarmos no Brasil os anos 60 como a geração dos pais e os anos 80 como a dos filhos, com um intervalo médio de 25 anos entre gerações, podemos bem verificar essas causas.

Os avós nascidos durante a grande guerra puderam desfrutar na juventude de um período de acalmia e progresso. Vivia-se com poucos recursos mas com estabilidade. O ainda pequeno consumo por falta de oferta propiciava a poupança. Os valores tradicionais e as carreiras estáveis foram as marcas dessa geração que nos educou, norteando nossos planos para o futuro. Nós pais entramos na vida adulta num mundo completamente transformado e desadaptado a esses planos.

Dois principais fatores contribuíram para o desvio da nossa geração: o aumento exagerado do consumo resultado do rápido crescimento da produção, este por sua vez consequência do crescimento demográfico da estabilidade de nossos pais, e uma enorme crise econômica resultado do endividamento. Estávamos nos anos 80, sem empregos e nenhuma perspectiva. Não havia trabalho, tivemos que buscar alternativas.

Nossos filhos que nasceram na década de 80, chegaram à fase adulta nos anos 10 do século XXI, em pleno mundo globalizado, super-aquecido e movido pela Internet.

Nada que se pudesse prever com tal intensidade, mesmo naqueles recentes anos 90, quando começaram sua vida escolar. Nós pais tínhamos chegado ali a duras penas, lutamos muito em condições adversas, e não queríamos nada do que se passara connosco com nossos filhos. Fomos super-protetores e lhes oferecemos muito mais daquilo que precisavam, num período de muito maior consumo que o nosso próprio. Os fizemos desprezar os bens pelo seu excesso.

Nossos filhos tiveram mais acesso à Educação e aos bens de consumo do que nós. Expuseram-se menos ao mundo real e mais ao mundo virtual. Tornaram-se mais velhos sem serem adultos, não conhecem o que é nem desejam empregos longos ou ter que custear seus próprios confortos. Preferem estar nos seus quartos de solteiro e ir buscar algum rendimento pela Internet, o suficiente para não macularem muito o Ambiente, consumirem apenas o essencial e talvez repartirem as despesas num "office home" alugado com alguém, com quem eventualmente mais tarde poderão vir a ter filhos... um filho... e esse que nascerá, nosso neto, será de uma outra geração, ainda mais diferente, sem que a possamos sequer imaginar, seguramente mais tardia, com um intervalo de 35 anos ou mais...

Nossa geração terá errado com boas intenções ou nossos filhos acabaram por descobrir melhores caminhos adequados a esses novos tempos?

Quero acreditar que sua medida comparatória tornou-se diferente da minha. Passou a ser o contentamento com pouco, a sua verdadeira felicidade.

Nossa geração testemunhou o fim do Comunismo. Nossos netos verão o fim do Consumismo? 

Comentários

  1. Bom texto Rui, gostei do final, final do comunismo, que ainda não acabou , e final do consumismo, que será dificil, por tratar de um vicio.

    ResponderEliminar
  2. Rui, gostei muito do texto e da frase final que cita comunismo e consumismo. Talvez , smj, você tenha que fazer um outro, contemplando uma visão das classes menos favorecidas daqui do Brasil.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Com um OE comprometido com salários e pensões não há dinheiro para o investimento; espaço para a iniciativa privada. Muito mais que a conhecida redução de impostos, deve ser com concessões e privatizações que a Economia pode crescer. Ultrapassar os tabus, garantir seu papel social, regular e deixar o Capital fazer o seu trabalho. 
O Bolsonarismo foi uma válvula de escape para o Conservadorismo brasileiro. Desperdiçou-se a oportunidade de um centro-direita governar e acertar as contas para gerar crescimento. As difíceis condições do país, agravadas pelo panorama internacional, não serão revertidas com o retorno da esquerda, pelo contrário irão deteriorar-se. A reaparecimento da direita é definitivo. Será vital surgir uma corrente mais moderada que esvazie o furor populista e livre o país de uma radicalização desgastante ainda maior.  
Se a política não é a causa do problema social mas sim consequência, podemos concluir então que a verdadeira causa está em nós. Os aspectos culturais de um povo definem sua organização social e como consequência seu modelo político, justo ou não, consoante sua própria natureza. Sendo a família a célula social, é aí que se devem concentrar todas as atenções e nesse caso, sem qualquer influência direta do Estado, cabendo unicamente aos pais a educação por valores morais de seus filhos. Dependerá dessa formação o sucesso dessa sociedade. Não cabendo em nosso povo o conceito da educação pelo Estado, será dos pais na intimidade da família essa responsabilidade. Não havendo estrutura familiar com formação moral prévia consolidada, em todos os níveis sociais, tal tarefa não poderá ser executada ou mesmo sequer reconhecida. Quer se dizer com isso que é do modelo e valores atuais das famílias que resulta o mau funcionamento da sociedade e que depende somente dessas famílias sua mudança. Começar...