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Responsabilização é prática comum nas administrações públicas; ou deveria ser. Na verdade, os governos empossados acabam no máximo por acusar e remediar os erros que os cessantes deixaram, e esses por sua vez fazem o mesmo, num rastro que morre sem culpa e sem punição. A impunidade perpetua o erro e o cidadão continua com seu ônus, no máximo se indigna mas esquece; às vezes morre. Quando os erros causam mortes devem ser ainda mais responsabilizados; ou deveriam ser. Quantos vezes se choram os mortos em desabamentos causados pela chuva em áreas sabidamente de risco? Não seria responsabilidade das autoridades municipais a permissão para construções? Ou deveria ser? Não deveríamos ser mais exigentes? Ou não ligamos nada para isso? Se seguirmos o rastro da impunidade, vamos acabar encontrando a nossa própria pegada na lama dessas enxurradas...
Voltando às ideologias como quem busca o que motiva as decisões políticas que interessam ao eleitor... No campo dos princípios que norteiam essas decisões, ou no campo ideológico, não existem mais do que quatro ideias, duas dessas aproximações ao campo contrário, que dividem-se ao meio ou ao centro, onde não há diferenciação, ou seja de ideologia nula e por isso uma zona de fisiologismos. Os pensamentos de Esquerda, Centro-Esquerda, Centro-Direita e Direita são invariavelmente as únicas variações ideológicas, democráticas e multipartidárias, excluindo-se aqui nesse aspecto, os chamados extremismos ideológicos por caracterizarem-se de forma totalitária e anti-democrática. Tais ideias que começaram por pretender diferenciar os interesses dos mais fortes e dos mais fracos, seja pela sua natureza sócio-econômica, seja mais tarde pela propriedade estatal ou privada dos meios de produção, hoje, com o fim do Comunismo nos finais do Século XX, estão todos os campos ideológicos  resumidos n...
Quem ganhou, quem perdeu, desvia o foco sobre quem votou. Afinal é esse quem se expressa nas eleições.  Em Portugal ontem foi assim: quase 60% dos eleitores, sem obrigatoriedade, com pandemia e tudo, foram dizer que desde a Revolução dos Cravos são socia-sistencia-listas e não gostam de mudanças. Deixam assim como está, mesmo ruim, porque preferem não perder o pouco, a ganhar o que lhes poderia trazer D. Sebastião... A Direita, como a lixívia, só serve para fazer faxina quando a casa está muito suja, e usa-se pouco porque cheira mal e mancha. Não estão cá pra Liberalismos porque nessa tasca quem manda é o Manél... Purtugal! Purtugal!
O papel do Estado é distribuir a riqueza garantindo a ordem e a Justiça. Nada a ver com fazer negócios, a não ser custear a Saúde e a Educação de qualidade para todos. É o Ordoliberalismo. Se o Estado cumpre esse papel com mais ou menos liberdade do cidadão, isso é problema de cada um... O Conservadorismo ou o Reformismo são características de cada indivíduo que são manipuladas para agrupar e cindir, enfraquecendo a maioria e fortalecendo a minoria que detém o poder. Não é ideologia. É apenas uma questão de princípios e por isso apaixona mais que as próprias ideologias. Essas por sua vez baseiam-se na "intensidade" de haver mais ou menos indivíduo em relação ao coletivo. Como ainda somos muito egoístas, pomos tudo a perder por pensar que nossas liberdades se sobrepõem ao coletivo, achando que é "possível ser feliz sozinho..."
O que antes era certo, hoje tudo é posto em causa. Não nos representam mais e nossa vontade já não conta; o voto é uma arapuca. As ideologias esmoreceram e a defesa da coletividade foi substituída pelo interesse egoísta do indivíduo; tremendo engano é achar que não dependemos do outro... A política tornou-se mera formalidade ineficaz, os interesses do Estado são exclusivos de alguns poucos. A democracia representativa já não existe de fato. Hoje uma ficção talvez acabe por se realizar. Uma democracia direta de bilhões de eleitores. Já há meios para isso. Já existe tecnologia para que bilhões de telefones móveis possam "pronunciar-se" toda vez que fosse posta em causa uma questão coletiva. "L'État c'est moi" (même)!
Deixemos de lado um pouco a figura do Estado, dessa chamada administração formal da sociedade baseada em leis e votos. É da sociedade que afinal se trata; e da sua cultura, e de seus costumes, e de suas vontades. O que dizer quando algo a perturba, a ameace, a amedronte e principalmente possa ter o poder de descaracterizá-la, a ponto de deixar de ser a sociedade que originou o próprio Estado? É do Multicuturalismo que estamos a falar. Do projeto de coabitação de diferente costumes num ambiente de tolerância e harmonia enriquecedora para o bem-estar de todos. Será isso realmente possível? Poderão povos com diferentes costumes e tradições conviver pacificamente de baixo de um mesmo Estado, ele próprio com suas leis e costumes? A resposta está a olhos vistos. A imiscibilidade de culturas é o fator gerador de Estados independentes, às vezes conflitantes, nomeadamente quando uma sociedade ameaça a outra, seja por razões económicas, demográficas ou pelo confronto de costumes, em especial o r...
Retirei de um texto de Henrique Raposo uma explicação muito boa sobre o desaparecimento da pertença nos dias de hoje e seus terríveis efeitos: "... No passado ainda recente, os mais pobres sabiam que tinham um certo estatuto e reconhecimento através da sua condição de operário ou trabalhador especializado, tinham o seu métier, a sua fábrica, o seu sindicato, a sua comissão de trabalhadores, o clube de futebol do sindicato ou o grupo coral ligado à fábrica. Esse mundo que garantia uma estrutura mental e o tal reconhecimento social, o tal status dentro da ordem natural das coisas, desapareceu em menos de uma geração.  As pessoas saltam de trabalho em trabalho sem criarem vínculos em lado nenhum... perderam empregos, perderam a ideia do emprego para a vida, perderam a ideia de que podiam ser operários, perderam as casas, até os carros. Ter uma arma é o que lhes sobra da sensação de ownership. Têm a arma e outra arma: o Facebook ou outras redes sociais onde procuram o capital social q...