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Quem ganhou, quem perdeu, desvia o foco sobre quem votou. Afinal é esse quem se expressa nas eleições.  Em Portugal ontem foi assim: quase 60% dos eleitores, sem obrigatoriedade, com pandemia e tudo, foram dizer que desde a Revolução dos Cravos são socia-sistencia-listas e não gostam de mudanças. Deixam assim como está, mesmo ruim, porque preferem não perder o pouco, a ganhar o que lhes poderia trazer D. Sebastião... A Direita, como a lixívia, só serve para fazer faxina quando a casa está muito suja, e usa-se pouco porque cheira mal e mancha. Não estão cá pra Liberalismos porque nessa tasca quem manda é o Manél... Purtugal! Purtugal!
O papel do Estado é distribuir a riqueza garantindo a ordem e a Justiça. Nada a ver com fazer negócios, a não ser custear a Saúde e a Educação de qualidade para todos. É o Ordoliberalismo. Se o Estado cumpre esse papel com mais ou menos liberdade do cidadão, isso é problema de cada um... O Conservadorismo ou o Reformismo são características de cada indivíduo que são manipuladas para agrupar e cindir, enfraquecendo a maioria e fortalecendo a minoria que detém o poder. Não é ideologia. É apenas uma questão de princípios e por isso apaixona mais que as próprias ideologias. Essas por sua vez baseiam-se na "intensidade" de haver mais ou menos indivíduo em relação ao coletivo. Como ainda somos muito egoístas, pomos tudo a perder por pensar que nossas liberdades se sobrepõem ao coletivo, achando que é "possível ser feliz sozinho..."
O que antes era certo, hoje tudo é posto em causa. Não nos representam mais e nossa vontade já não conta; o voto é uma arapuca. As ideologias esmoreceram e a defesa da coletividade foi substituída pelo interesse egoísta do indivíduo; tremendo engano é achar que não dependemos do outro... A política tornou-se mera formalidade ineficaz, os interesses do Estado são exclusivos de alguns poucos. A democracia representativa já não existe de fato. Hoje uma ficção talvez acabe por se realizar. Uma democracia direta de bilhões de eleitores. Já há meios para isso. Já existe tecnologia para que bilhões de telefones móveis possam "pronunciar-se" toda vez que fosse posta em causa uma questão coletiva. "L'État c'est moi" (même)!
Deixemos de lado um pouco a figura do Estado, dessa chamada administração formal da sociedade baseada em leis e votos. É da sociedade que afinal se trata; e da sua cultura, e de seus costumes, e de suas vontades. O que dizer quando algo a perturba, a ameace, a amedronte e principalmente possa ter o poder de descaracterizá-la, a ponto de deixar de ser a sociedade que originou o próprio Estado? É do Multicuturalismo que estamos a falar. Do projeto de coabitação de diferente costumes num ambiente de tolerância e harmonia enriquecedora para o bem-estar de todos. Será isso realmente possível? Poderão povos com diferentes costumes e tradições conviver pacificamente de baixo de um mesmo Estado, ele próprio com suas leis e costumes? A resposta está a olhos vistos. A imiscibilidade de culturas é o fator gerador de Estados independentes, às vezes conflitantes, nomeadamente quando uma sociedade ameaça a outra, seja por razões económicas, demográficas ou pelo confronto de costumes, em especial o r...
Retirei de um texto de Henrique Raposo uma explicação muito boa sobre o desaparecimento da pertença nos dias de hoje e seus terríveis efeitos: "... No passado ainda recente, os mais pobres sabiam que tinham um certo estatuto e reconhecimento através da sua condição de operário ou trabalhador especializado, tinham o seu métier, a sua fábrica, o seu sindicato, a sua comissão de trabalhadores, o clube de futebol do sindicato ou o grupo coral ligado à fábrica. Esse mundo que garantia uma estrutura mental e o tal reconhecimento social, o tal status dentro da ordem natural das coisas, desapareceu em menos de uma geração.  As pessoas saltam de trabalho em trabalho sem criarem vínculos em lado nenhum... perderam empregos, perderam a ideia do emprego para a vida, perderam a ideia de que podiam ser operários, perderam as casas, até os carros. Ter uma arma é o que lhes sobra da sensação de ownership. Têm a arma e outra arma: o Facebook ou outras redes sociais onde procuram o capital social q...
Política é ferramenta do Poder. Não interessa ao poder económico a desordem e o empobrecimento.  A sociedade deve ser mantida distraída, achando que governa, enquanto aufere rendimentos suficientes com que se contente. Só a paz política interessa a quem realmente detém o poder. As sociedades não governam, são governadas, e esse engodo continua enquanto se reparte e todos ficam bem. Não há mal nenhum nisso, é da natureza humana. A riqueza se perderia se não estivesse na mão dos poucos que a sabem criar.
"É algo de recente e de muito surpreendente: são as mulheres que decidem tudo. Elas decidem o início de uma relação, elas decidem quando é que essa relação termina, elas decidem ter um filho ou não. O homem permanece estranhamente inerte. Há uma espécie de desfalecimento do ponto de vista masculino que não deixa de ser perturbador. O ponto de vista masculino, tendo tão poucas oportunidades de se expressar, tornou-se desconhecido. É uma espécie de segredo... que pensa de tudo isso o homem, no fundo de si mesmo? Uma hipótese é que ele não mudou, nada de nada. A reforma do homem foi um falhanço completo, mas é um falhanço dissimulado porque os homens compreenderam que o melhor era calarem-se." Concordo com M. Houellebecq sobre o papel voluntarioso da mulher na sua emancipação em relação ao homem. Acrescentaria que tudo não passa da mais perfeita expressão da natureza dos gêneros...