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Uma das vantagens de sair do Brasil é vê-lo melhor de fora e, estando em outro país, fazer comparações mais acertadas. Mantidas as proporções, o número de matérias escritas ou vídeos sobre questões sociais, políticas ou económicas no Brasil é muito maior que em Portugal. Haverá mais engajamento popular por isso? Não. Em ambos os países a participação popular na coisa pública é baixíssima. O que explicaria então essa enorme produção de matéria jornalística nos meios de comunicação brasileiros? Certamente uma característica cultural bem diferente, um costume mais acentuadamente americano, consumista, sensacionalista e voltado para os exemplos de fortuna financeira, como modelo a seguir, ao mesmo tempo que deve ser execrado pela sua origem quase sempre criminosa. Um verdadeiro caso de amor e ódio que enche de novelas apaixonantes nosso imaginário subjetivo, afastando-nos cada vez mais da exata noção de sociedade e da racional e objetiva definição de contrato social.
Acho que enquanto for essa a natureza humana, nada contraria a lei do mercado e por isso tudo o que se fizer contra dá errado.  Nesse mundo pós-socialismo, o Capital reina impávido e absoluto. Não há outra opção. Aprendemos sim a refrear um pouco o seu ímpeto que acaba por lhe ser prejudicial e aí deve entrar o Estado; para garantir que haja sempre quem compre e que não demos cabo do planeta. Um exemplo. O cultivo de abacate no Algarve é recente. Uma rentabilidade 20 vezes maior que a da laranja que domina aquela região. Nada contra, muito pelo contrário. Entretanto a monocultura é prejudicial ao Ambiente e o abacate consome muito a água escassa por ali... O que deve fazer o Estado se o mercado está com sede de abacate? Pôr limites. Só isso.
Somos indivíduos e completos. A psicanálise ajuda a vermo-nos assim e a tornarmo-nos o que somos. Aceitando-nos como somos. Apesar de integrais não fomos feitos para viver sozinhos, e numa relação, é imprescindível reconhecer que não nos completamos com ninguém, mas sim complementamo-nos com alguém especial, sem o qual talvez não fôssemos capazes de experimentar.
No atual estado das coisas, falar de política é falar de polícia. A degeneração moral não é exclusiva dos políticos, muitos outros fazem parte do quadrilhão nacional. Não fazemos ideia do número de pessoas comuns envolvidas de alguma forma, em todos os níveis. A população conive resignando-se ou roubando também como pode. Os partidos políticos não representam ninguém e podiam muito bem incluir o PCC e o CV. O crime organizado é a instituição nacional que comanda. Se não somos de outro planeta, o que nos difere tanto dos demais terráqueos. A resposta é a Justiça corrompida e a Polícia a reboque. Sem Justiça de verdade os criminosos não são julgados e presos até o final da pena. Se não conseguimos mudar nossa raiz moral, então que nos valham os poucos ainda justos que se dediquem tenazmente a drenar esse pântano onde vivemos. Criminosos na cadeia! Todos sem exceção! Não avançamos se não começarmos por aí.
Não podendo a raiz moral ser modificada, resta a educação social da Democracia. Educação e Democracia. Qual é a causa e qual é o efeito? O que deve vir primeiro? O que é condição sine qua non para a outra? Saber essa resposta permite começar o trabalho. Enquanto formos uma sociedade ignorante, regida unicamente pela "Lei de Gerson", nada vai mudar. 
A atual discussão sobre a censura nas redes sociais objetiva evitar a manipulação das massas. Sem opinião própria uma pessoa pode até mesmo votar num desconhecido se alguém conhecido o indicar. Nossa preocupação não deve ser censurar, mas sim despertar as pessoas para formarem sua opinião própria. Mesmo as pessoas pouco informadas sabem distinguir a diferença entre o bem e o mal.
São corriqueiras as comparações que fazemos com outros países da mesma forma como é comum espiar o vizinho. Apesar de diferirmos culturalmente somos os mesmos em natureza, e por mais que nos esforcemos para melhorar em relação ao outro, continuamos os mesmos imobilizados pela nossa própria cultura.