Avançar para o conteúdo principal

Voltando à Liberdade...

Se há uma coisa que é livre, isso é o pensamento. Muito embora todos possam pensar, nem todos podem expressar-se, é verdade. No mundo livre, um dos direitos fundamentais é exatamente o da liberdade de expressão, e ainda assim essa liberdade às vezes dá pano pra manga...

Quanto menos liberdade, mais censura. Quanto menos opinião, menos liberdade. Os meios de comunicação privados são empresas que buscam clientes como qualquer outro negócio. Vendem o que as pessoas compram, e alguns nem se importam em "vender" o que não "compram"; sua coerência é apenas o lucro. Entretanto os que além de lucrar com a venda do conteúdo, pretendem também expressar sua opinião a bem da pluralidade de ideias e da liberdade de pensamento, podem e o devem fazer, relevando os fatos de toda natureza e não apenas os que lhes convêm.

A mídia tradicional, originária dos antigos jornais impressos, sempre foi um veículo de opinião; e cada um tinha a sua, como qualquer pessoa ou grupos de pessoas que defendem a mesma ideia e a querem expressar. Na era digital trocou-se a tinta pelos bits. A opinião ainda está lá, e ainda bem. Lê quem quer, compra quem quer, aquilo que alguém conhecido escreveu. A Internet trouxe essas ideias instantaneamente a um número inimaginável de pessoas, algumas sem a verdadeira cara de quem as escreve. Surgiu assim um fabuloso meio de se veicularem mentiras de gosto popular, que são replicadas infinitas vezes, cobertas pelo anonimato do verdadeiro interessado que está escondido por trás disso.

A liberdade de expressão é inquestionável. Nada justifica a censura. As poderosas redes sociais não têm o direito de vetar ou classificar a expressão seja de quem for, porque são apenas veículos. Se assim entenderem também podem, e devem, exprimir a opinião dos seus editores, mas sobretudo esse negócio bilionário deve ser também responsável pelo que veicula. Há meios de identificar fontes falsas que alardeiam mentiras e manipulam a opinião pública. Conhecem-se bem as consequências disso...

Que contentem-se com a manipulação do consumo dos seus utilizadores...

O fenómeno da redes sociais surpreendeu as legislações. Já passou da hora de obrigar essas empresas a deixarem de querer pôr tudo no mesmo saco, livres opiniões pessoais junto com robôs e plataformas mal intencionadas que de opinião não têm nada e que só servem para manipular gente sem cara e sem opinião!

Comentários

  1. Rui, em poucas palavras você resumiu muito bem o momento atual da imprensa tradicional e das redes sociais na veiculação de notícias/opiniões.
    Aqui no Brasil os legisladores e o judiciário estão tentando estabelecer normas sobre esse tema. As Big Techs são parte do problema!
    Nival.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Com um OE comprometido com salários e pensões não há dinheiro para o investimento; espaço para a iniciativa privada. Muito mais que a conhecida redução de impostos, deve ser com concessões e privatizações que a Economia pode crescer. Ultrapassar os tabus, garantir seu papel social, regular e deixar o Capital fazer o seu trabalho. 
Um caso hipotético. Um empresário no setor financeiro, reeleito governador, foi beneficiado por ter sua empresa sido autorizada a abrir um novo tipo de linha de crédito, derivado da aprovação de lei editada pelo Executivo. Seria ético o empresário prestar apoio político a esse Executivo? Não deveria haver nenhum benefício por iniciativas políticas a quem ocupa cargos públicos? Deveria quem ocupasse cargo público abandonar totalmente qualquer atividade empresarial? Ser empresário e político ao mesmo tempo pode ser compatível? Seria assim também em outros países? Apesar da lei autorizar, seria ético? Não permitir retiraria o direito de alguém empreender? Deveria haver um recesso durante e após o mandato como nos casos de cargos públicos que passam ao setor privado? 
O Bolsonarismo foi uma válvula de escape para o Conservadorismo brasileiro. Desperdiçou-se a oportunidade de um centro-direita governar e acertar as contas para gerar crescimento. As difíceis condições do país, agravadas pelo panorama internacional, não serão revertidas com o retorno da esquerda, pelo contrário irão deteriorar-se. A reaparecimento da direita é definitivo. Será vital surgir uma corrente mais moderada que esvazie o furor populista e livre o país de uma radicalização desgastante ainda maior.