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O sentido de exclusão está muito enraizado. Português apartado de índios e negros, estes por sua vez fechados na sua gente. Os imigrantes simplesmente estrangeiros. Uma sociedade ao mesmo tempo misturada e separada. Não tanto pela sua origem, mas pelo poder de dominação.
Dominação mais que relação patrão x empregado, governante x governado. Um que é tudo e o outro que não é nada.
Essa exclusão tão entranhada, irracional e confortável, estúpida e pitoresca, imoral e natural... simplesmente o maior entrave ao nosso desenvolvimento. Apenas isso.
Nossa sociedade, patriarcal e escravocrata, calcada na tradição patrimonialista portuguesa não evoluiu nada na colônia. Não nos aconteceu um rompimento de costumes, mas sim a continuação da dominação com outros donos. Continuou aqui a separação entre nobres que podem tudo e plebeus que podem nada. Nunca fomos afeitos à Democracia e a Igreja Católica só fez piorar a falta de crítica.
Tornamo-nos uma sociedade de cidadãos e não-cidadãos. Os do morro e os do asfalto, e cada vez mais tudo junto na mesma pocilga que não cliva ninguém e emporcalha todo mundo!
É dessa matéria que somos feitos e não tem jeito de negar, basta ver a naturalidade plácida com que olhamos a Rocinha da nossa varanda duplex do Saint Conrad Golden Tower...
Está tudo aí, claro e cristalino, nossa miséria social que desconhece a semelhança...
Como se muda isso? Como se muda um comportamento errado?
Com a palmada dos pais. Com a mão firme do Estado através de suas leis que aos poucos vão educando.
Já se começa a haver respeito!

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