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No pós guerra e industrialização do país, até a década de 70, floresceu a classe média brasileira, fruto principalmente do numeroso e privilegiado funcionalismo público seguido dos empregados das grandes e poucas empresas privadas que surgiram na época em meio à pouca concorrência. Os empregados de pequenos negócios e prestadores de serviço naquele período não se enquadravam neste grupo.
As desigualdades sociais embora já grandes em todo país não causavam maiores problemas dado o regime de governo ditadorial e à discreta mas eficaz assistência social prestada pela própria classe média; este amparo por parte do Estado era praticamente inexistente.
Os governos de esquerda da abertura democrática, o alargamento da Segurança Social e o próprio novo enquadramento dos direitos e garantias do cidadão transformaram a delicada paz social existente num ambiente de crise e criminalidade com o crescimento e exposição da desigualdade no meio social.
O fenômeno da globalização e as consequentes crises económicas acentuaram o empobrecimento e quase o desaparecimento das classes médias, causando assim o recrudescimento dessas desigualdades.
Toda atenção deve ser dada à concentração da riqueza produzida nas mãos de reduzidissimo número de pessoas e o achatamento das classes médias para condições de pobreza que agravarão ainda mais esse problema com consequências imprevisíveis. 

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