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Nesta época em que se comemora a Portugalidade, o orgulho de um povo pelos seus feitos e valores, o país vê-se a passar por um momento de boas notícias económicas, como a saída do procedimento por défice excessivo da Comissão Europeia, os bons resultados do PIB e até mesmo uma pequena redução do desemprego. Euforias à parte, é incontornável o peso da dívida pública sobre vida das pessoas. A situação real da economia há muito deixou de proporcionar o bem-estar verificado nos primeiros tempos da entrada na UE e da adesão à moeda única.
A situação de precariedade do emprego e dos rendimentos do trabalho tem vindo a agravar-se. A falta de colocação para os mais preparados com a emigração de jovens licenciados, a queda do valor real dos salários com a aplicação generalizada do salário mínimo nos contratos de trabalho, e mesmo o não cumprimento dos benefícios garantidos por lei pela falta da formalização destes, têm causado um certo cansaço, descrença e mesmo alguma irritabilidade social que se constata nos rostos e no trato do dia-a-dia. Deparamo-nos de fato com um mau momento ou estamos atravessando uma turbulência maior? Uma crise do sistema?
Portugal tem vindo a dar atenção a uma ideia que não é nova, mas que talvez junte o melhor do capitalismo e do socialismo. Se pudéssemos de alguma forma limitar a acumulação desproporcional da riqueza produzida, ao mesmo tempo que repartíssemos melhor o seu excesso.
Os países europeus vêm discutindo a criação do chamado RBI Rendimento Básico Incondicional, isso mesmo, incondicional porque é obrigatório para todos um rendimento mínimo que permita a sobrevivência digna, trabalhando-se ou não, enquanto nos liberta para qualquer outra atividade, produtiva ou não. Seria uma maneira ultramoderna de se viver em sociedade, mais humana e também mais investidora de recursos na própria economia.
Divergências à parte é uma ideia. Está sendo testada em alguns países e quem sabe o que dará no futuro? A verdade é que o mundo muda rapidamente e a figura do Estado Social que se construiu no pós-guerra está falindo. É preciso encontrar outros modelos porque sem dinheiro não se faz nada e com desigualdade não se consegue. Meios de produção e emprego já não se prestam às suas definições e é indiscutível ser necessário ir mais além na construção de uma sociedade mais humana e justa.
Parafraseando Camões nesta quadra, seria realmente um feito notável, dar um novo mundo ao mundo, se conseguíssemos fazer brotar aqui este novo paradigma de sociedade.
Segue um link para os mais interessados nessa ideia:
https://www.youtube.com/watch?v=Y0kGwwRaDi0


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