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Mulher, mulher

A violência e os crimes perpetrados pelo homem contra a mulher não são um sinal dos tempos.
Ao longo da história a condição feminina não muda. Ser mulher é ser menor que o homem e não há como negar o fato. A comparação entre os dois gêneros não difere da dos outros animais se não fosse a racionalidade. O corpo da fêmea que gesta está em desvantagem na luta pela sobrevivência e essa característica reflete-se na sua condição social. A razão humana contraria esse atavismo, embora ainda hoje o macho predomine em todas as sociedades.
A natureza justifica o fato sociológico. O Deus monoteísta é homem. A mulher foi feita da costela do homem. A mulher era segregada, e ainda é, nos templos religiosos. Ficava escondida porque podia ser roubada como qualquer outro bem. Dava-se à prostituição. Não saía à rua. Não ia à escola. Andava, e ainda anda, com o corpo tapado para não atrair olhares. O homem casava, e ainda casa, com várias mulheres. A mulher não escolhia o marido. Era dada em casamento como outros dotes patrimoniais. Perdia, e ainda perde, seu nome para acrescentar o nome do marido. Andava atrás do marido nas vias públicas. Não trabalhava fora de casa. Não votava. Atingia a maioridade mais tarde que o homem. Não conduzia automóveis. Era, e ainda é, nu para revistas masculinas...
Da condição de ser mulher, apesar da razão, não se pode dizer igual a do homem ainda neste século. O que muda então?
O avanço civilizacional corrige estas distorções, e é do contato entre culturas que operam estas mudanças. Nesse nosso último milímetro da linha do tempo, este contato intensificou-se exponencialmente e não dá para ser uma mulher na península arábica diferente de qualquer outra no Chile. As tecnologias de informação tornaram o mundo do tamanho de um telemóvel. Ainda assim esta condição perdura. Por que não muda?
A condição feminina é determinada pela constituição da família, que depois do instinto animal, estruturou-se para assegurar patrimônio, ou seja, por razões materiais. Longe da religiosidade, o casamento sempre foi uma instituição materialista. Ainda no nosso tempo as relações conjugais são reforçadas pela perspetiva da criação de riqueza, perpetuidade genealógica e garantia de conforto na velhice. O papel da mulher é material. É mesmo assim?
Obviamente a razão diz que não! E é desnecessário discorrer sobre isso porque não concordar é simplesmente irracional. A questão que deve ser discutida não é a igualdade entre homens e mulheres, porque são absolutamente diferentes, mas sim por que ainda desempenham diferentes papéis com diferentes valores.
Nesse nosso mundo ainda mercantilista não é difícil perceber o comportamento e o valor material, do ponto de vista físico, que a própria mulher conserva. Deve ser este o ponto de virada dessa discussão. Um indivíduo esclarecido não pode conceber fazer parte de um grupo exclusivamente pelo seu valor material, de objeto do qual dispõe outro indivíduo. O movimento feminista já de há alguns anos apontou o papel intelectual da mulher na sociedade e isso é o que muda tudo.
Deixando de lado a militância sexista tola, o que importa é a conscientização desse papel que surpreendentemente ainda não é notado! Na medida que a mulher percebe e se comporta como um indivíduo de fato nas suas relações pessoais e na sociedade como um todo, diminui a probabilidade de ser abusada e aumenta a de ser respeitada.



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