Avançar para o conteúdo principal
Houve quem estimasse que 2/3 dos que nascem terão profissões ainda desconhecidas. As mudanças pelas quais passamos são rapidíssimas. Definitivamente, o emprego para quem ainda não viu, acabou.

As relações entre o capital e o trabalho já não se podem definir como antes. O próprio conceito de se trocar o trabalho rotineiro pelo pagamento de um salário tornou-se estranho, incomodativo e até mesmo incompreensível. O homem de hoje vê, ouve, sente, e pode mesmo não perceber, tudo o que se passa a volta, no mesmo instante, em todo o mundo. É uma capacidade de informação extraordinária, até então inimaginável. A condição quase que servil, de casta, religiosamente dita natural, deixou de ser despercebida pela simples comparação em relação ao outro "ao lado", mesmo a milhares de quilômetros de distância.

Na história da humanidade, o socialismo não poderia deixar de ser uma utopia pelo fato do homem não ser e não querer ser igual. Do sentimento fraterno à fraternidade dos povos ainda vai uma grande distância que não será coberta por nós. No nosso mundo não conhecemos nada melhor que nos defina a ação que o conceito da "Mão Invisível". É o interesse pessoal que nos move, ao mesmo tempo que não querendo fazer dele depender ninguém, não se pode aceitar construir um plano de vida na dependência do trabalho assalariado. Essa época teve seu tempo e acabou, da mesma forma, o conceito do Estado Social do pós guerra também está ultrapassado. Qual o mdelo que nos espera? O que se pode antever? O ofício.

O trabalho assalariado vem transformando-se na prestação de serviços pela prática de um ofício. Ofício sinónimo de profissão. Os empregos tal como conhecemos, restringem-se aos trabalhos não qualificados, ou seja, não profissionais, prestados por algumas poucas pessoas, geralmente mais velhas, que não puderam profissionalizar-se. Estas estarão empregadas até o momento em que essa função seja substituída por uma máquina. O emprego refirirá-se ao trabalho desqualificado, cada vez mais raro, enquanto que o ofício, o profissional. As gerações mais novas devem ser alertadas e orientadas para tais mudanças, visto que os pais, em quase a totalidade, não se aperceberam disso, posto que eles próprios vivem essa transição.

Depende da visão dos Estados, reformar o ensino e investir fortemente na formação profissional de nível técnico. Os liceus deverão voltar ao seu caráter formador em artes e ofícios, proporcionando aos jovens a possibilidade de antecipar sua entrada no mercado de trabalho e principalmente experimentar sua verdadeira vocação, objeto central dessa mudança de modelo de ensino.

É fundamental dotar os jovens de meios para que possam iniciar sua vida profissional e fazê-los experimentar sua autonomia económica.

A figura do contrato de trabalho, os acordos coletivos, a representação dos sindicatos desaparecerão e mesmo aqueles que trabalharão nas empresas, prestarão serviços como autónomos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Um caso hipotético. Um empresário no setor financeiro, reeleito governador, foi beneficiado por ter sua empresa sido autorizada a abrir um novo tipo de linha de crédito, derivado da aprovação de lei editada pelo Executivo. Seria ético o empresário prestar apoio político a esse Executivo? Não deveria haver nenhum benefício por iniciativas políticas a quem ocupa cargos públicos? Deveria quem ocupasse cargo público abandonar totalmente qualquer atividade empresarial? Ser empresário e político ao mesmo tempo pode ser compatível? Seria assim também em outros países? Apesar da lei autorizar, seria ético? Não permitir retiraria o direito de alguém empreender? Deveria haver um recesso durante e após o mandato como nos casos de cargos públicos que passam ao setor privado? 
A principal causa da atual apatia, ora anarquia e desrespeito às pessoas e instituições nas sociedades ocidentais, pode ser encontrada no excesso de individualismo, de direitos e liberdades protagonizados pelo pensamento progressista que adveio e generalizou-se desde o fim da II Grande Guerra. O afastamento cada vez maior do contato direto com os meios de sustento, o crescimento do emprego, do consumo e do Estado mantenedor, desenvolveram um comportamento de descompromisso e inércia que levou as massas à total dependência de terceiros. Criou-se com isso o sentimento generalizado de desconfiança e rancor de quem se vê dependente e subjugado. Desfez-se o sentimento de engajamento, pertença e ação do cidadão. Ele não interessa-se por governar-se, quer que o façam por si, está à mercê de quem quiser. O caminho de volta é a solução.  
A natureza humana é conservadora. O percurso etário é uma prova disso. Como fonte filosófica de vida baseada em valores e costumes, o Conservadorismo está a montante da política e das ideologias que desembocam na economia do nosso dia-a-dia. O primitivo senso de liberdade e iniciativa do homem determinou seu modelo ideológico original de conduta política, denominado mais tarde, Direita. De suas também naturais inconformidade e contestação, resultou a necessidade de mudar, e com ela, um novo tipo de pensamento ideológico mais reformador, por vezes revolucionário, que priorizava o interesse da maioria coletiva em detrimento do protagonismo individualista da Direita; a Esquerda. Ambos pensamentos, apesar de antagônicos, coexistentes e não excludentes no indivíduo, fazem parte da sua integralidade e da necessidade de integração com os demais. Ao mesmo tempo sua independência e interdependência. A exploração política mesquinha subverteu essa dualidade natural e benéfica, criando uma cisão f...