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Existem várias razões par tal. O excesso de licenciados, a falta de técnicos, o custo de uma licenciatura, etc.
É totalmente descabido exigir-se que um jovem de 18 anos tenha que decidir-se por uma licenciatura em idade tão tenra, com tão pouco inexperiência e maturidade. Não se pode considerar normal a continuação dos estudos num curso superior como se isso fizesse parte do ensino fundamental. A universidade tem outros propósitos tão mais importantes além da formação de profissionais de alta responsabilidade.

É um modelo errado que deve ser mudado. A banalização do curso superior em detrimento da formação de nível técnico.

É fato que o mercado de trabalho precisa da proporção inversa desses profissionais, ou seja, para cada profissional de curso superior deve haver um determinado número de técnicos que o auxiliem.
A supervalorização do diploma o tornou desnecessário e agravou os níveis de desemprego qualificado. Muitos licenciados, feitos bons cursos ou não, com aproveitamento ou não, acabam por sujeitar-se a funções de nível técnico e até mesmo ao trabalho desqualificado.

O menosprezo e a desvalorização da mão-de-obra técnica, e mesmo a falta de opções de formação pública, o que torna o problema mais agravante, fez com que os jovens simplesmente transitassem para o ensino superior, com o talento necessário ou não.

O ensino secundário deve deixar de ser um simples preparatório para os exames nacionais de admissão às universidades, e aqui cabe ressaltar o aspecto de negócio que tomou a iniciativa privada com a proliferação de universidades particulares, e passar a profissionalizar técnicos de alta competência, que devem ser bem remunerados pelos empregadores, se preciso por força de legislação que lhes garanta um salário mínimo profissional.

É mais adequado ao momento da vida do jovem, que voltado para suas vocações que começam a surgir nesta fase, fazê-lo experimentar o trabalho remunerado e adaptar-se à vida adulta por um certo período em que fosse obrigatória a idade mínima para admissão ao ensino superior, se assim fosse sua vontade.

O jovem estaria assim mais capacitado para escolher e investir esforços e recursos num curso superior, em caráter de excepcionalidade, a contar com fatores como o desempenho na função de técnico, o aproveitamento nos estudos preparatórios de admissão, avaliações do perfil psicológico, defesa das motivações perante uma banca de especialistas, sem esquecer obviamente da demanda do mercado que deverá nortear o número de vagas oferecidas pelas instituições.

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