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Em Portugal vive-se a época das matrículas escolares. Está-se em férias e Agosto é mês de praia… Tudo avança normalmente para mais um ano letivo. Uns vão a estrear, outros começam a última fase da vida acadêmica… Depois virá o mundo real, o mundo do emprego e do salário no fim do mês para pagar as contas… É assim o andar da vida e, regra geral, esta será melhor do que a que nossos pais tiveram…
O tempo avança e tudo se repete. Será assim mesmo ou estamos passando por uma mudança profunda nesse modelo de vida?
Não há como negar que estamos vivendo uma época de transição. Assim como estamos a passar pelas mudanças no clima que nós próprios causamos, também nós criamos as causas para essa mudança de paradigma na vida produtiva. A figura do emprego está desaparecendo devido à nossa busca incessante da otimização do trabalho e a maximização dos seus resultados.
Surgiu há pouco tempo, nem sempre existiu. O emprego apareceu quando deixou-se de trabalhar para si. Foi uma consequência histórica. No início trabalhávamos recoletando alimentos, depois demos duro plantando e criando animais, seguiram-se as artes e a prática desses ofícios, veio a produção em massa impulsionada pela energia e com ela a necessidade da mão-de-obra. Surgiu assim emprego. Avançamos agora retornando à prática ancestral do trabalho, à produção para si mesmo. Serão muito poucos os que ainda serão empregados em atividades rotineiras e de pouca formação. A mecanização informatizada se encarregará quase de tudo.
Os adultos de hoje estão a lutar com isso, mas são principalmente os jovens que sofrerão mais estas mudanças, ainda tanto quanto mais tarde a perceberem. A educação que os pais de hoje dão aos seus filhos é a mesma que receberam e leva-os a um beco sem saída. É preciso atentar rapidamente para isto sob pena de estarmos a formar uma geração perdida.
O sistema educativo está montado para produzir licenciados que procurarão empregos e não trabalho. Quando se está prestes a escolher o curso universitário, dá-se mais importância ao status social e à remuneração dos salários do que propriamente à sua verdadeira vocação. Não tanto pela profissão em si, mas sim no reconhecimento e desenvolvimento do seu verdadeiro perfil profissional, que pode ser autónomo ou corporativista. Os jovens de hoje não estão sendo preparados para trabalhar, tampouco preocupam-se em descobrir sua vocação.
O país vive, como o resto do mundo, essa fase tormentosa. O Estado perdulário ainda vai mantendo empregos ao sabor das politiquices, os grandes grupos do setor privado vão reduzindo o número de empregados e diminuindo seus salários, os pequenos empresários, que são a maioria, driblando as leis e explorando o trabalhador desqualificado que tem que lutar pela sobrevivência. Nesta fase de transição serão muitos os prejudicados e o Estado terá que intervir para proteger os mais vulneráveis. Não haverá lugar para acomodados e incompetentes; quem não souber fazer bem qualquer tipo de trabalho não terá lugar no mundo produtivo. O emprego tal como foi criado acabou!
A economia e a criação de riquezas continuarão a crescer. Cada vez mais deixarão de existir as figuras do patrão e do empregado. Será o cada um por si, e todos contando com que o Estado regule bem as condições desse novo mundo que já está aí. O estado social criado para garantir nossas reformas, talvez também tenha que garantir o mínimo para a manutenção digna da nossa sobrevivência, nos libertando totalmente para o trabalho prazeroso e produtivo.


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