Arrisco-me a mexer num vespeiro
mas não posso ficar indiferente.
Recentemente um candidato à uma das
autarquias de Lisboa foi duramente criticado por racismo, por ter declarado
que os ciganos vivem à custa do Estado através do recebimento do RSI Rendimento
Social de Inserção.
Polêmicas à parte há aqui duas
questões. Uma a discriminação da raça, a outra à crítica a esse tipo de
amparo social. É difícil enfrentar essa discussão, em diversas sociedades, em
todos os tempos. Qual o verdadeiro motivo do incómodo? Houve época mesmo em que se tentou simplesmente o extermínio dessa etnia…
Por ser um problema social, diz
respeito ao que se considera aceito ou não pela sociedade, e ser aceito
significa estar de acordo com seus costumes. Para as
sociedades ciganas o normal é viver de acordo com seus costumes, não com os da sociedade onde se insere. Sendo estes
diferentes, está aí o problema. Em outras palavras, se a etnia cigana vivesse
de acordo os costumes da sociedade alargada, não haveria tal problema.
É no mínimo curioso constatar
como foi possível a esses grupos étnicos chegarem aos dias de hoje, vivendo da forma
como viviam há séculos. Isso pode ser explicado justamente pelo fato de não se
integrarem e viverem fiéis aos seus costumes
ancestrais. É difícil imaginar como um determinado grupo consegue ficar
incólume às influências modernizantes de um mundo cada vez mais padronizado.
O isolamento severo a que se
impõem, com casamentos endogâmicos e ainda mesmo o nomadismo e a evasão escolar,
fazem com que seja quase impossível haver integração. Por outro lado não se
pode admitir que não tenham o direito de viver como preferem, como qualquer um.
É de fato um problema com que temos que lidar, sem ser omissos,
ou pior, racistas.
Costumes não são mudados da noite
para o dia. As sociedades judaicas, exemplo milenar de costumes,
conseguiram coabitar pacificamente com as demais porque adaptaram-se, educando seus
filhos de acordo com suas tradições mas também do mesmo modo de vida da
sociedade alargada. Algumas famílias judaicas trocam presentes no Natal.
Os ciganos da Europa de um modo
geral preferem viver isolados. Têm pouca instrução e baixos rendimentos, como
qualquer grupo com essas características, são problemáticos. Conhecidos por delitos e desacatos, são alvo de segregação
por parte da maioria. O Estado age fornecendo assistência social
que lhes permita minimamente uma vida digna, como a qualquer cidadão
carenciado. A dependência desse tipo de assistência com dinheiros públicos, aliada
ao seu comportamento, avesso aos costumes da maioria, resulta no conflito.
Lembro-me aqui de fazer uma
comparação para ilustrar a diferença de pensamento que a um parece normal e a
outro completamente estranho. Em África é normal pedir alguma coisa que não se
tem a alguém que a tenha, ou mesmo furtar essa coisa. Um cigano acha normal
pedir algo a alguém que o esteja vendendo, enquanto o vendedor achará isso
totalmente estranho. São modos de pensar e viver completamente estranhos.
Como lidar com isso? Buscamos uma
solução ou preferimos xingá-los e afastá-los da vista? Mudar a forma de alguém pensar, além de impossível, é contrariar
aquilo que lhe é mais caro; sua liberdade. Não podemos fazer ninguém mudar de
ideias a não ser que lhe demos outras. Proponho que o subsídio social continue
sendo dado para o seu verdadeiro propósito; ou seja, a inserção social. É preciso dar-lhes ajuda material
mas também novas ideias. É através da educação dos jovens ciganos que se conseguirá uma
integração natural e necessária.
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