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A decisão em quem votar pode recair em alguém que direta ou indiretamente possa trazer algum beneficio pessoal ou em outro que se espera possa beneficiar a todos. Em ambos os casos não há de fato nenhum interesse ou esperança naquilo que poderia resultar. De uma forma geral não se conhece minimamente o candidato e muito menos se lhe pode confiar. O voto é dado sem qualquer garantia de retorno e nunca é cobrado. Fixam-se os nomes mais sonantes para os primeiros cargos do Executivo e sequer são citados os que se votam para o Legislativo. Há um total descompromisso de ambas as partes com o mandato que vai servir apenas para desperdiçar muito dinheiro público com os absurdos privilégios legais e os fabulosos desvios da corrupção. O eleito está imune de qualquer investigação ou processo por má conduta e o eleitor além de não o controlar, também não cobra nem o pode substituir.
O Legislativo Municipal é o mais desconhecido quando deveria pela proximidade ser o vereador o mais conhecido. No nosso sistema federativo organizado de cima para baixo e centralizador de verbas, o município é um verdadeiro buraco negro de recursos protegido pelo anonimato dos cargos.
O voto distrital que expõe o candidato daquela região e o Recall que possibilita sua substituição são as duas medidas que podem inverter completamente o atual quadro de desresponsabilização e desgoverno. 

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Um caso hipotético. Um empresário no setor financeiro, reeleito governador, foi beneficiado por ter sua empresa sido autorizada a abrir um novo tipo de linha de crédito, derivado da aprovação de lei editada pelo Executivo. Seria ético o empresário prestar apoio político a esse Executivo? Não deveria haver nenhum benefício por iniciativas políticas a quem ocupa cargos públicos? Deveria quem ocupasse cargo público abandonar totalmente qualquer atividade empresarial? Ser empresário e político ao mesmo tempo pode ser compatível? Seria assim também em outros países? Apesar da lei autorizar, seria ético? Não permitir retiraria o direito de alguém empreender? Deveria haver um recesso durante e após o mandato como nos casos de cargos públicos que passam ao setor privado? 
A principal causa da atual apatia, ora anarquia e desrespeito às pessoas e instituições nas sociedades ocidentais, pode ser encontrada no excesso de individualismo, de direitos e liberdades protagonizados pelo pensamento progressista que adveio e generalizou-se desde o fim da II Grande Guerra. O afastamento cada vez maior do contato direto com os meios de sustento, o crescimento do emprego, do consumo e do Estado mantenedor, desenvolveram um comportamento de descompromisso e inércia que levou as massas à total dependência de terceiros. Criou-se com isso o sentimento generalizado de desconfiança e rancor de quem se vê dependente e subjugado. Desfez-se o sentimento de engajamento, pertença e ação do cidadão. Ele não interessa-se por governar-se, quer que o façam por si, está à mercê de quem quiser. O caminho de volta é a solução.  
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